Grandes mudanças marcaram a educação e a sociedade nos últimos anos. Avanços na tecnologia, nas ciências, e consequentes mudanças nas formas de comunicação e expressão são visíveis. Nas escolas, isso pode ser percebido na medida em que uma grande quantidade de grupos que trazem uma variedade cultural antes não tida neste ambiente, passa a se inserir no mesmo. Em meio a esta diversidade, as relações de gênero ganham destaque, tendo em vista que passa a haver uma tensão política quanto às diferentes formas como estas eram concebidas. Antes, de caráter biologicista, as determinantes eram traçadas através das concepções de diferenças existentes a partir do sexo, diferenças estas que limitavam e demarcavam os corpos das crianças. Agora, em meio a um debate pós estruturalista, percebe-se que as relações de gênero são construções sociais, que levam a uma determinada forma de se perceber e conceber o corpo. Nas aulas de Educação Física, em que o corpo ganha atenção e destaque, estas relações ficam ainda mais em voga, tendo em vista que estes corpos disputam um espaço de movimento e representatividade. As relações de gênero são marcadores de construção de identidade e subjetividade, bem como as aulas de Educação Física. Tendo em vista a importância deste tema na contemporaneidade, buscar-se-á, neste trabalho, perceber, à luz da perspectiva das crianças, como se dá a formação desta subjetividade e desta identidade, tomando como ponto de referência a perspectiva da criança com relação às relações criadas.